4 de junho de 2012


Cá-Samba... 

Junho é um mês interessante. Mês do São João, Licor, Milho e Forró. Mas ela gostava mais de Júlio, Cerveja, Tira-gosto de carne e Samba-rock. Ele estava sentado na sua cama a conversar com algumas pessoas, bem costumeiro, sabe? Ouvindo Seu Jorge, com saudade dela, que deveria estar metida em alguma confusão, e que astúcia ela tinha pra isso.



A cabeça fazia aquela dancinha bem conhecida de, ao ritmo do sambinha, um lado para o outro, cadenciado. Aos poucos os ombros iam se mexendo também, e logo ele... (...) ELE PARAVA DE ESCREVER, JOGAVA OS BRAÇOS PRA CIMA, DAVA UM GRITO E SAMBAVA COM TODA PARTE SUPERIOR DO CORPO: UHUUULL...

Mas se deu conta que aquele samba estava incompleto, não era a mesma coisa ouvir algo que não pudesse compartilhar. Era uma paixão que começou platônica, por ela, por ele, pelo amigo dela pelos dois juntos, pela amiga dela pelo amigo que torcia pelos dois juntos, e pelos dois que queriam estar juntos. É bem divertido isso, porque chega uma hora que ele está escrevendo e para pra dar risada, não é legal como a naturalidade das coisas fazem as coisas acontecerem sem serem simplesmente coisas?

Aquela vontade de mais continuou nele. Logo ele teve vontade de ligar, mas será que é viável? Não, melhor não, fico aqui quietinho e logo ela dá um sinal. Mas não deu. Carolina começou a passar pela mente dele, será que ela ia sentir ciúmes? Não, necessariamente, ouvir Seu Jorge não é um pecado, e a Carolina era ela, ainda que ela cantasse, uma música estranha, mas fofa, bem costumeira, sabe?


Nele bateu uma vontade de trocar a música, mas ele a viu naquele instante bater à porta, mentira... ela já havia entrado, estava parada na porta, com aquele sorriso, aquele olhar, aquela roupa, aquela pose, tudo inocentementessafado, com um copo na mão, era água e, vejam só, ela jogou nele. Tadinho, foi obrigado a me dispir, estava me recuperando de uma gripe, roupa molhada ia piorar a situação dele, não é mesmo?
Pois bem, tirou a camisa, jogou no chão, se levantou, pisou na camisa, foi em direção a ela, pegou-a pela nuca, b-e-m s-u-a-v-e-m-e-n-t-e, subia as mãos como quem não QUERIA nada, e quis. Mas de repente, sua outra mão a pega pela cintura e logo ele... (...) ELE PARAVA DE ESCREVER, JOGAVA OS BRAÇOS PRA CIMA, DAVA UM GRITO E SAMBAVA COM TODA PARTE SUPERIOR DO CORPO: UHUUULL...

Mas vejam, na hora em que foi pega, solicitada para o corpo dele, sim, pois daquela maneira era um corpo implorando o outro, o sem camisa, com os braços comendo, bebendo, saboreando o corpo daquele jeito, é, daquele mesmo. Sem beijo de boca, só beijo de olhar, sexo de olhar, orgasmos de olhar. E eles se olharam, e se olhavam, e se olham, e se olharão e se olhariam mais se as pernas não se movessem em direção à cama.

Um sorriso muito sacana brotou das duas faces, um chamando o outro, bem d-e-l-i-c-i-o-s-a-m-e-n-t-e de filho da puta, como era doce ouvir aquilo dos olhos dela, que era ele, que estava nela, que se rendia a ele, que a atirava na cama e... saiu para tomar um copo de água.
Era uma espécie de vingança, ela o chamou de filho da puta novamente, agora com a boca, ainda que os olhos dissessem “ahh, viado!”, mas ele não estava nem aí. Saiu, passou pelo corredor, entrou na cozinha, encheu o copo de água, ficou de costas para a pia, se escorando, bem costumeiro, sabe? Quando ela chegou. Uma rápida conversa de olhos e a água que restava diretamente nela, legal não? Sim! Está calor mesmo!


Eis que o som palpita, cria duas pernas, dois braços, dele sai um violão e, como cabeça, um pandeiro, que tosco. Não, não era, era só o fantástico conspirando para um samba. Que sambou, fez-se um jogo do errante, afinal, molhada ela estava, e o samba foi para que as mãos se espalmassem, num jogo de salão ele a roda, a tem pela frente, ela de costas, a abraça com os braços cruzados e enquanto ela rebola numa dancinha para baixo, sua camisa, encharcada, é retirada suavemente, naquele momento começou-se o regime da nudez, nesse samba foi retirado o short, o outro short, as sandálias não existiam, as camisas molhadas, havia mais coisas molhadas, mas eram deles mesmos, pois naquele momento o samba estava no clímax, calcinha virou tamborim e cueca virou cuíca.

A dança fez embebedar, a cerveja não era a mesma, quando a máquina segurava era uma, quando nas mãos deles era outra, mas eles queriam água, e não conseguiam, só restou se olhar de novo, com desfaçatez, agora era perguntar como você teve coragem? Você me atiçou! Eu, não. Eu sou tão fofo, a culpa foi sua. Entenda porra, não houve culpa, houve gozo. Porque naquele momento não teve mais disfarces, e sim a vontade de pirraça consumada, me olha, lê meus olhos que minha cabeça que outra coisa, e vai fazer outra coisa. Mas o que é pior é que todos eles se rendem, sim, pois o samba se tornou mais original que o tradicional, máscaras pairando, bem de costume, sabe? Logo ele (...) ELE PARAVA DE ESCREVER, JOGAVA OS BRAÇOS PRA CIMA, DAVA UM GRITO E SAMBAVA NELA: UHUUULL... sentindo-a pelo corpo, não houve espaço para máscara, pois o nu foi desvendado. Tudo isso ao som de um samba, que não era pagode. Será que ela voltou? Ele quero isso de novo, com ela, agora.

12 de abril de 2012

(n)Um dia de prov@.

O clima parece tenso, mas na verdade é engraçado.
             - No desenvolvimento, posso levantar questionamento?
             - Hum rum...
Paro, olho, escrevo, olho de novo. São 19 na sala, mais 1 que pediu pra sair e mais 2 que faltaram.

Dá um sono, mas eu resisto, olho de novo para a cara de cada um: confiança, orgulho, impaciência, desespero, tranquilidade, sangue frio, atenção, apatia, “quê que eu tô fazendo aqui”, psicopata, cara de besta, “Ih... fudeu!”, desafio, poesia, racionalidade, “professor, o que é texto em prosa?”, cara de quem ouve banda nacional de rock, parcimônia e ousadia. Isso que vejo daqui, sentadinho.

A psicopata acabou de me olhar, eu bem que gostaria de um desafio dela; psicopatas gostam disso, até para a verificação de quais deles é o melhor. Ela seria uma das boas se, SE, não fosse trivial (tento controlar algumas humildes gargalhadas, o atencioso pede ajuda com os olhos, rói as unhas). Eu espreguiço, rio. Uns pensam “que filho da puta...”, outros verbalizam só o estranhamento com um espontâneo “oooxe!!!”. Volto À lista, acabo de me lembrar que esqueci de uma, na hora das caras, essa cara que vejo agora apelidei de Bob D, Bob Marley mais Dread. Ela é uma figura, gosto dela, mas tenho a constante impressão de que está sempre noiada. Isso dá até uma inveja, mas supero, afinal é só uma impressão, eu que uso quando estou com meu amigo imaginário, o mexerica, e que ninguém saiba disso.

Bateu sono de novo, já choveu, escuto ruídos de uma prosa vinda de dois meliantes que já entregaram. Ai meu Pai...

Cadê a psicopata? Ah... alí ela... kkk aquela fraca, ela olha por cima, eu levanto uma sobrancelha e ela se rende como se eu tivesse dado um golpe mortal que dei. Bem que uma morte agora não seria tão banal. Seria agradável até, pelo menos o sono passava. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: a sala branca, eu, de branco, eles, de farda branca (o atencioso me perguntou alguma coisa, mas nem sei o que foi, só respondi afirmativamente, se ele errar, depois... ah, besteira!).

Então... tudo branco, a sala em círculo

(...) Foi mal, eu fui dar uma volta por entre eles, isso sempre os deixa nervosos, meu sono passa um pouco, eu fico alegre. Dois me olham, um fala que estou com sono; eu, claro, nego.

Acredito muito que aqueles três ali são gays, que desperdício, são boa pinta, fariam/fazem/farão/falos sucesso com a mulherada. Acho até que dois deles tem um caso. Uma cena de sexo entre eles seria insólito, pitoresco até, mas se não fosse legal seria, ao menos, engraçado. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: A sala azul, eu, de azul, eles, de farda azul (um dos supostos gays me olha, eu retribuo o mesmo olhar, mesmo sem saber o que ele está falando. Se ele me xingou, eu xinguei pior a mãe dele. Ai meu Pai... e se ele estivesse dando em cima de mim? Ele é até boa pinta, gente boa, mas nunca pensei nessa possibilidade, sei lá... também, eu estou a base de suposições, eles podem não ser pôneis rosados homoafetivos e encontrantes às escondidas; qualquer coisa depois eu... ah, besteira!).

Então, tudo azul, a sala em círculo (... um dos que me entregaram – e agora já são mais que dois – pediu pra ir beber água, deixei! Vieram mais dois e entregar, um deles pra mim é gigolô profissional, tem cara e age como retardado, mas quem quiser que se engane, é esperto, bandido mesmo; o outro não, é retardado com cara séria, postura... (peraí que tocou o sinal, vou tomar e continuo na outra sala).




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Sim, onde é que eu estava? Ah, os dois lá da outra sala... (Nossa, que confusão da porra! Tivemos que trocar de sala, o que, no fundo, eu amei! A turma eu até gosto, mas a sala onde eles estavam é péssima, quente, energia pesada, parece que mortos, espíritos e essas coisas que não existem mas vivem a nos infernizar e a nos meter medo pairavam por ali... Mas sim, os meninos... aqueles lá são bastante amigos (paro, olho, dou risada, parece que estes ficam mais tensos ainda que os outros, talvez porque sejam um pouco muito mais ***r*****. Não, não é vingança, não sou diabólico, mentira, eu sou! Mas é que é divertido essa coisa deles), mas tenho certeza que no caso de um sexo bem casual, o esperto faria bem feito pra poder cobrar dois mil quatrocentos e trinta e um reais e cinquenta e dois centavos na segunda vez. Já o retardado, bem... esse trepa com mulher, homem, bicho, parede, torta de amora e roda de carrinho de rolimã. Fazer o quê né? O importante é ser feliz.

Antes que eu saísse, notei que alguns me observavam numa mistura de curiosidade e aflição: “que será que ele está escrevendo?” e eu quieto, com sono, rindo, escrevendo e propagando... propagando... ah, um monte de coisa.

Enfim, estou em outra sala, essa é curiosa, por ser bem heterogênea, tem os loucos anormais dos que sobem pintados de azul num poste carregando uma melancia no pescoço para brigar com seu amigo imaginário que havia ficado com sua namorada, uma louva-deus. Tem os que parecem maloqueiros ordinários pré-configurados à condição de marginais, que, no fundo, não perderam a virgindade da boca, quanto mais do pinto (desculpe!). Também tem a galera mais proto-emo-dark-restart que se parece com a turma do “aqui todo mundo come todo mundo”. Tem os metidos a inteligentes que escrevem iscola e esqueiro e tem os inteligentes, que parecem comigo (modéstia é o caralho! Ops, desculpe o palavrão!).

Agora é a hora do intervalo, uma menina entrou com um salgado e um copo de suco, eu a olhei, ela riu, eu também, só não entendo o porquê dela ter saído da sala quando disse que ela ia se engasgar. Hum! Me deu vontade de comer acarajé! (... gente, que decepção. Uma aluna acaba de me perguntar de triste_a é com S ou Z).

O sono está voltando, pior que dessa vez eu não estou a fim de andar pela sala... (... dois dos supercabações brincando, dá vontade de tomar e reprovar, seria bom, menos provas para corrigir, mas assim nem dá para corrigir impulsionando o processo metacognitivocriativoeducacional do aluno com elementos do tipo: Nota – SR, Texto Vago, Clichê, Confuso, Incoerente, HAN?, ou ainda só perguntando uma coisa: como assim, meu filho?

Melhor é a cena na hora de receber o texto corrigido.. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: A sala vermelha, eu, de vermelho, eles, de farda vermelha (... eu me pego olhando para a aluna grávida, quando ela senta, se sente parindo, é, daí, eu me pergunto: já pensou se essa menina me inventa de parir na sala? Imagine ela fazendo respiração de cachorrinho... ao invés de ajudar, todos íamos se acabar de dar risada. O menino, ao nascer, não ia chorar, ia sorrir e, em homenagem, a mãe o chamaria de Tiririca Anysio). Olha o infeliz Cabaçolóide querendo me tirar de otário................................. Só quis.

Então, tudo vermelho, a sala em círculo (... acabo de ouvir mentalmente a música “que será” de Ana Carolina, não sou fã dela, mas uma e outra são ouvíveis... “eu comi Madona”, só no sonho dela!)

Engraçado, perdi o tesão, e olhe que essa sala tem uns T. Que faço?

Uma menina que não conheço passou aqui pela porta, olhou, desviou o olhar, baixou a cabeça, deu pra ver que ela sorria, um sorriso legal, descarado... PARA TUDO! Já estou em outra sala e escuto que é “massa!” quando se sobe a escada e, quando levanta a perna para o próximo degrau:
            - FLUP! Peida...





É mole? Essa já é uma prova pornojentaxual... Nunca vi meninos pegarem tanto nos pintos dos coleguinhas, fora os carinhos nadegácios... sem falar nos nomes: bosta, cu, que merda, “posso mijá?”. O que leva uma pessoa (agora mesmo, acabaram de dizer: Me fudi!) a falar que vai mijá? Hein meu Pai, MIJÁ?? Dá vontade de dizer: Sim, vá, faça nesse copinho aqui e traga que eu vou te mostrar o que você vai fazer... Se fosse urinar, suprir minhas necessidades fisiológicas, olha que poético que fica. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: Só que agora me dou conta que não é sala, muito menos em círculo, é no banheiro, é uma privada, preta, que dão descarga e... não é que os Maias estavam certos? Que sono!

23 de março de 2012

COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS



E se me perguntarem da existência de Deus? Eu respondo: “você sabe do seu Ser?”. É engraçado perceber como as pessoas podem fornecer pistas idiossincráticas a respeito de coisas que são teóricas, gerais e óbvias, por serem assim mesmo, teóricas, gerais. “Caríssimos... tocou a terceira entrada do teatro! Quê? Triste de você se prefere o cinema”. E risadas, não gargalhadas... mas, por dentro, não mostremos o bom do amor no humor para esses que merecem lágrimas, as mais indefinidas possíveis, diria até lágrimas de ornitorrinco, afinal, crocodilos são animais tão belos, e tão definidos. Por que haver de assim qualificar suas lágrimas? Devem ser tão “tão” quanto eles. E se a poesia fosse... nããão... a poesia não foi, vivamos um cansaço que nos anima, e de animar uma cadeira se torne um Pedro Albuquerque dos Santos, EIS: O MAIOR DOS PARADOXOS: um Albuquerque dos Santos. Mas se a revolução não deu conta de entender esse paradoxo, porque haveria de entender eu? Entende? Paro aqui, justamente porque não estou cansado, e exijo mais de mim, mais coragem, mais sensualidade, mais o que pode ser suscetível ao outro, principalmente falares, olhares, tateares e não só, mas também...

13 de março de 2012

ESTUDAR GEOGRAFIA

Cadê você?! Era bem essa música que se interrogava sobre Você. É, Você aí mesmo! Você, o foco: da pesquisa, do ensino, da extensão, da prática. Por isso um longo e prazeroso estudo. Talvez um tanto complexo, mas... aliás, sem "mas" e com mais, mais vontade, mesmo complexo, e por isso a pergunta, até Bebel Gilberto quis saber: Cadê Você?
Definir Você seria um fazer, e isso me dá medo na verdade! Imagine se por ventura vem um outro estudioso e cria uma nova teoria, o espaço de Você seria no mínimo compartilhado, sejamos vanguardistas: ABSTRATOS FOUVISTAS! Ah como Você ganha beleza assim... Se divide: numa santa tríade, ou santíssima trindade (Você escolhe!) podemos ver Você num físico, num humano e num indefinido. O indefinido é o melhor, é o mais determinado e, num lindo que se quando vai num subjetivo de verbo português e dá mais voltas que as voltas do 6º satélite natural de Saturno, nem sei se falei bem, mas Saturno tem anéis, anis, anóis, anuis, faltou uma letra, Você!
É incrível que minhas músicas estão científicas; são agora, estudos culturais... Nessa "eu vou navegar nas ondas do mar eu vou...", nessa eu quero estudar, estudar o humano, que é da população, da etnicidade, do contato social, da diversidade na diversidade pela diversidade com a diversidade, e é da cidade?! não! É mais que dela, é da megalópole, mas é da roça?! É todo o campo!
E eu ainda falo do humano, falo humano porque o que é humano é porque é próprio do homem, por isso falo. É contato, interação, constante fluxo e refluxo globalizador. AAAAAAH, VOCÊ! Mas inda tem mais, tem o físico, esqueceu? Não? Mentira, esqueceu sim, mas faço penetrar muda e surdamente num relevo esculpido a uma água que não é doce nem salgada. Você um dia provará desse sabor, ou não, sua abstração cavalga, cavalga numa marcha que permite dizê-lo expressionista. AAAAAAH VOCÊ! Inda tenho dúvidas nesse estudo sobre algumas coisas, óbvio: Qual é o clima? O tempo é que muda não é? E energia? Qual a melhor forma de se consumir energia?

O Indefinido é o melhor, pois é concreto, simbólico e somente é... eu sei! Não é? Não, tem razão, não sei! Mas quero aprender, e muito, afinal Você é isso, Você é geografia, logo, é poesia! Me faz doutor?!

11 de março de 2012


 15 anos

Era a história de um homem, sim, era. Estava na fase, tinha cabelos longos para cabelos de homem, era forte, malhava, voz áspera, olhos firmes, era um de escorpião com sagitário, mas isso não importa, mesmo que seja uma regra, ele era a exceção.

Tinha acabado de ligar o som, ele gostava de blues, jazz, Mpb, das músicas tristes, ele gostava. Amava a dor, o sofrimento. Caminhava para sua temporária liberdade no claustro do próprio banheiro, ia se banhar. Ah! o banho.

Começava no quarto, ao tirar peça por peça de roupa: primeiro a camisa, depois a bermuda, resistia um muito, mas tirava também a cueca. Enquanto caminhava pra pegar uma toalha, a de sua preferência – a azul, grande e felpuda, sempre parava diante do espelho e se observava, via como era bonito, em meados de sua visualização não era tão bonito, no fim do seu se ver nem mais ele próprio estava a ver, pois o que enxergava era o caos das perguntas mais difíceis se revoltando e tomando posse da situação ao mesmo tempo em que se tocava, no rosto, seu pescoço, seus braços, peitos, barriga (aos curiosos? sim, a mão continua descendo... embora não quisesse, embora não pudesse!): Quem sou eu? Onde estou? Porque sou eu? O que eu estou fazendo? Sua liberdade alçava cada vez mais voo.

Uma campanhinha! Tsc, tsc...  Definitivamente, PARA A PORRA TODOS, ESTOU NO BANHO! E num som misturado, por um bom tempo, de campanhinha e MPB seguiu em duas faces, na verdade uma: meia chorando, meia sorrindo, meio confuso, não, meia certeza e meia outra certeza.

Chegou à porta do banheiro, uma apatia lhe abateu. Parado, nu, com uma toalha no ombro (ia se enrolar nela, mas desistiu no andar das coisas), pensava nada por um bom tempo. De repente, tão quão De Moraes, não mais que de repente, viu, como nunca tinha visto que seu banheiro era triangular, que loucura... mas era! Não quis o espelho, lembrou que ele é traiçoeiro. Descalço, pôde verificar a frieza contida na cerâmica, chegou a uma conclusão: ela não é fria, é sensível. Adorando isso tudo, entrou deveras no banho; junto ao chuveiro uma pequena estante de banheiro, na qual continham...



(desculpe fui comer uma castanha!) na qual continham sabonetes em barra, sabonetes líquidos, hidratantes, gel, xampus, condicionadores e outras peripécias que nos levam à pergunta, só resta saber qual: De quê ele quer tanto se limpar? ou, Pra quê ficar tão limpo?

Ligou o chuveiro, que adoração! As gotas caíam rígidas, rápidas, faziam um balé contornando/esculpindo as formas do rapaz, a água tinha esse poder? Sim, até mais, a campanhinha já havia parado de tocar e ao provocar sua primeira catarse ele ouviu somente a música, o som com gosto de morangos da água provando o rapaz e o som de suas lágrimas se misturando às outras gotas.

Pegou o sabonete em barra, o chuveiro continua aberto, ele continua embaixo da água. O sabonete está morrendo, como um leproso vai soltando pedaços, se desmanchando; o rapas? adora essa morte, ele depende dessa morte para viver, isso dá prazer. Uma dicotomia surreal: a morte e a vida, os gritos do sabonete e os gemidos do rapaz.

Ele o esfregava pelos lugares todos do corpo, começava pelas pernas, subia pelas coxas, após, a virilha, conseguia resistir e pulava para o umbigo. Esfregava ainda o peito, os braços, e alcançava o pescoço, o lugar que lhe ouriçava, num movimento de baixo para cima esfregava, arrepiando-o, intumescendo-lhe lá e nos mamilos, era o prazer dizendo “oi! Como vai? PRAZER em conhecê-lo” numa posição que no mínimo seria uma depravação angelical semi-ejaculativa, se é que se é que existe: a segunda catarse.

A água continua, a sujeira sai com o sabão como um rio tépido e também sujo, afinal o que é sujeira? Não sei.

Fecha, ele, o chuveiro, o corpo respinga, os olhos secos, não mais olha pra cima, mas para baixo, acabou-se a dualidade, a cara não nega: ele pode, ele quer ele vai fazer; é viril, homem macho, bicho-macho, não precisa falar o sabonete líquido já está sobreposto ao corpo, a bucha já foi passada, mas o que ele busca na realidade é outra coisa, com o corpo espumado, ele ligeiramente escorrega a mão ao que não está espumado, mas lubrificado. “Segura, é sua ou não é?” e então “ele” reage convidando-o a fazer um carinho, ou até mesmo dar uma surra. Na pica, sim, na pica, no pau, na rola, ereta, tesa, intumescida. Num movimento com a mão esquerda ele acalenta o órgão, busca pensar em algo, mas não é necessário, o cenário já dá a orgia precisa.

Sua mão acelera, num movimento de vai e vem incontrolavelmente rápido, ele quase cai, não sabe mais que ele não é, vira essência, perde controle de tudo, as paredes são seu refúgio , ele vai escorregando, pensa em sexo, no seu sexo, numa, noutra, noutro, não é mais homem, é uma vadia, uma puta, se contorcendo no que para ele é um coito, “vai... piranha, o chão é seu!”, grita, geme, se dá uma surra, as pernas como elásticos, ele já estava deitado, a outra mão rasgava o chão, ele conseguia tirar as costas do chão, “isso!”, todo arrepiado percebe que o cenário, mesmo perfeito, cede aos seus pensamentos, então ele como uma bela puta que é come todos, dá a todos, prazer, carne, sensualidade, o céu e o inferno, são três, não, são seis, o corpo reage, sem saber como, o chuveiro já está aberto exatamente em sua cara e, numa dança, os gozos explodem. O gozo de um sabão líquido se misturando a outro em sua mão, são texturas iguais, proporcionando limpezas diferentes, ou ele está sujo? Ao mesmo tempo em que a água bate em sua cara, em sua boca aberta que pede cada vez mais... Mais tudo. Imagine! (...) Não, não imagine, já não falamos de uma puta, no entanto de uma virgem, não mais pois fora estuprada, principalmente na alma, o homem-mulher se levanta com medo de si, com nojo de si, e tentando se abraçar ao mesmo que se esfregava para retirar o resto dos sabonetes líquidos. O som acaba, é seu despertador; quando sai só se percebe na frente do traiçoeiro espelho com a toalha a nitidamente comê-lo, fazendo orgias indiscretas, abraçando-o, por todo, beijando-o, não, lambendo=o, um novo arrepiar-se trouxe a terceira catarse, sim, posto que o que acontecera antes era uma nova dicotomia: ressurreição X reencarnação.

Ora... o que aconteceu? Já está na esquina, vestido, dando bom dia, nada aconteceu, era homem de novo. Era.