23 de março de 2012

COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS



E se me perguntarem da existência de Deus? Eu respondo: “você sabe do seu Ser?”. É engraçado perceber como as pessoas podem fornecer pistas idiossincráticas a respeito de coisas que são teóricas, gerais e óbvias, por serem assim mesmo, teóricas, gerais. “Caríssimos... tocou a terceira entrada do teatro! Quê? Triste de você se prefere o cinema”. E risadas, não gargalhadas... mas, por dentro, não mostremos o bom do amor no humor para esses que merecem lágrimas, as mais indefinidas possíveis, diria até lágrimas de ornitorrinco, afinal, crocodilos são animais tão belos, e tão definidos. Por que haver de assim qualificar suas lágrimas? Devem ser tão “tão” quanto eles. E se a poesia fosse... nããão... a poesia não foi, vivamos um cansaço que nos anima, e de animar uma cadeira se torne um Pedro Albuquerque dos Santos, EIS: O MAIOR DOS PARADOXOS: um Albuquerque dos Santos. Mas se a revolução não deu conta de entender esse paradoxo, porque haveria de entender eu? Entende? Paro aqui, justamente porque não estou cansado, e exijo mais de mim, mais coragem, mais sensualidade, mais o que pode ser suscetível ao outro, principalmente falares, olhares, tateares e não só, mas também...

13 de março de 2012

ESTUDAR GEOGRAFIA

Cadê você?! Era bem essa música que se interrogava sobre Você. É, Você aí mesmo! Você, o foco: da pesquisa, do ensino, da extensão, da prática. Por isso um longo e prazeroso estudo. Talvez um tanto complexo, mas... aliás, sem "mas" e com mais, mais vontade, mesmo complexo, e por isso a pergunta, até Bebel Gilberto quis saber: Cadê Você?
Definir Você seria um fazer, e isso me dá medo na verdade! Imagine se por ventura vem um outro estudioso e cria uma nova teoria, o espaço de Você seria no mínimo compartilhado, sejamos vanguardistas: ABSTRATOS FOUVISTAS! Ah como Você ganha beleza assim... Se divide: numa santa tríade, ou santíssima trindade (Você escolhe!) podemos ver Você num físico, num humano e num indefinido. O indefinido é o melhor, é o mais determinado e, num lindo que se quando vai num subjetivo de verbo português e dá mais voltas que as voltas do 6º satélite natural de Saturno, nem sei se falei bem, mas Saturno tem anéis, anis, anóis, anuis, faltou uma letra, Você!
É incrível que minhas músicas estão científicas; são agora, estudos culturais... Nessa "eu vou navegar nas ondas do mar eu vou...", nessa eu quero estudar, estudar o humano, que é da população, da etnicidade, do contato social, da diversidade na diversidade pela diversidade com a diversidade, e é da cidade?! não! É mais que dela, é da megalópole, mas é da roça?! É todo o campo!
E eu ainda falo do humano, falo humano porque o que é humano é porque é próprio do homem, por isso falo. É contato, interação, constante fluxo e refluxo globalizador. AAAAAAH, VOCÊ! Mas inda tem mais, tem o físico, esqueceu? Não? Mentira, esqueceu sim, mas faço penetrar muda e surdamente num relevo esculpido a uma água que não é doce nem salgada. Você um dia provará desse sabor, ou não, sua abstração cavalga, cavalga numa marcha que permite dizê-lo expressionista. AAAAAAH VOCÊ! Inda tenho dúvidas nesse estudo sobre algumas coisas, óbvio: Qual é o clima? O tempo é que muda não é? E energia? Qual a melhor forma de se consumir energia?

O Indefinido é o melhor, pois é concreto, simbólico e somente é... eu sei! Não é? Não, tem razão, não sei! Mas quero aprender, e muito, afinal Você é isso, Você é geografia, logo, é poesia! Me faz doutor?!

11 de março de 2012


 15 anos

Era a história de um homem, sim, era. Estava na fase, tinha cabelos longos para cabelos de homem, era forte, malhava, voz áspera, olhos firmes, era um de escorpião com sagitário, mas isso não importa, mesmo que seja uma regra, ele era a exceção.

Tinha acabado de ligar o som, ele gostava de blues, jazz, Mpb, das músicas tristes, ele gostava. Amava a dor, o sofrimento. Caminhava para sua temporária liberdade no claustro do próprio banheiro, ia se banhar. Ah! o banho.

Começava no quarto, ao tirar peça por peça de roupa: primeiro a camisa, depois a bermuda, resistia um muito, mas tirava também a cueca. Enquanto caminhava pra pegar uma toalha, a de sua preferência – a azul, grande e felpuda, sempre parava diante do espelho e se observava, via como era bonito, em meados de sua visualização não era tão bonito, no fim do seu se ver nem mais ele próprio estava a ver, pois o que enxergava era o caos das perguntas mais difíceis se revoltando e tomando posse da situação ao mesmo tempo em que se tocava, no rosto, seu pescoço, seus braços, peitos, barriga (aos curiosos? sim, a mão continua descendo... embora não quisesse, embora não pudesse!): Quem sou eu? Onde estou? Porque sou eu? O que eu estou fazendo? Sua liberdade alçava cada vez mais voo.

Uma campanhinha! Tsc, tsc...  Definitivamente, PARA A PORRA TODOS, ESTOU NO BANHO! E num som misturado, por um bom tempo, de campanhinha e MPB seguiu em duas faces, na verdade uma: meia chorando, meia sorrindo, meio confuso, não, meia certeza e meia outra certeza.

Chegou à porta do banheiro, uma apatia lhe abateu. Parado, nu, com uma toalha no ombro (ia se enrolar nela, mas desistiu no andar das coisas), pensava nada por um bom tempo. De repente, tão quão De Moraes, não mais que de repente, viu, como nunca tinha visto que seu banheiro era triangular, que loucura... mas era! Não quis o espelho, lembrou que ele é traiçoeiro. Descalço, pôde verificar a frieza contida na cerâmica, chegou a uma conclusão: ela não é fria, é sensível. Adorando isso tudo, entrou deveras no banho; junto ao chuveiro uma pequena estante de banheiro, na qual continham...



(desculpe fui comer uma castanha!) na qual continham sabonetes em barra, sabonetes líquidos, hidratantes, gel, xampus, condicionadores e outras peripécias que nos levam à pergunta, só resta saber qual: De quê ele quer tanto se limpar? ou, Pra quê ficar tão limpo?

Ligou o chuveiro, que adoração! As gotas caíam rígidas, rápidas, faziam um balé contornando/esculpindo as formas do rapaz, a água tinha esse poder? Sim, até mais, a campanhinha já havia parado de tocar e ao provocar sua primeira catarse ele ouviu somente a música, o som com gosto de morangos da água provando o rapaz e o som de suas lágrimas se misturando às outras gotas.

Pegou o sabonete em barra, o chuveiro continua aberto, ele continua embaixo da água. O sabonete está morrendo, como um leproso vai soltando pedaços, se desmanchando; o rapas? adora essa morte, ele depende dessa morte para viver, isso dá prazer. Uma dicotomia surreal: a morte e a vida, os gritos do sabonete e os gemidos do rapaz.

Ele o esfregava pelos lugares todos do corpo, começava pelas pernas, subia pelas coxas, após, a virilha, conseguia resistir e pulava para o umbigo. Esfregava ainda o peito, os braços, e alcançava o pescoço, o lugar que lhe ouriçava, num movimento de baixo para cima esfregava, arrepiando-o, intumescendo-lhe lá e nos mamilos, era o prazer dizendo “oi! Como vai? PRAZER em conhecê-lo” numa posição que no mínimo seria uma depravação angelical semi-ejaculativa, se é que se é que existe: a segunda catarse.

A água continua, a sujeira sai com o sabão como um rio tépido e também sujo, afinal o que é sujeira? Não sei.

Fecha, ele, o chuveiro, o corpo respinga, os olhos secos, não mais olha pra cima, mas para baixo, acabou-se a dualidade, a cara não nega: ele pode, ele quer ele vai fazer; é viril, homem macho, bicho-macho, não precisa falar o sabonete líquido já está sobreposto ao corpo, a bucha já foi passada, mas o que ele busca na realidade é outra coisa, com o corpo espumado, ele ligeiramente escorrega a mão ao que não está espumado, mas lubrificado. “Segura, é sua ou não é?” e então “ele” reage convidando-o a fazer um carinho, ou até mesmo dar uma surra. Na pica, sim, na pica, no pau, na rola, ereta, tesa, intumescida. Num movimento com a mão esquerda ele acalenta o órgão, busca pensar em algo, mas não é necessário, o cenário já dá a orgia precisa.

Sua mão acelera, num movimento de vai e vem incontrolavelmente rápido, ele quase cai, não sabe mais que ele não é, vira essência, perde controle de tudo, as paredes são seu refúgio , ele vai escorregando, pensa em sexo, no seu sexo, numa, noutra, noutro, não é mais homem, é uma vadia, uma puta, se contorcendo no que para ele é um coito, “vai... piranha, o chão é seu!”, grita, geme, se dá uma surra, as pernas como elásticos, ele já estava deitado, a outra mão rasgava o chão, ele conseguia tirar as costas do chão, “isso!”, todo arrepiado percebe que o cenário, mesmo perfeito, cede aos seus pensamentos, então ele como uma bela puta que é come todos, dá a todos, prazer, carne, sensualidade, o céu e o inferno, são três, não, são seis, o corpo reage, sem saber como, o chuveiro já está aberto exatamente em sua cara e, numa dança, os gozos explodem. O gozo de um sabão líquido se misturando a outro em sua mão, são texturas iguais, proporcionando limpezas diferentes, ou ele está sujo? Ao mesmo tempo em que a água bate em sua cara, em sua boca aberta que pede cada vez mais... Mais tudo. Imagine! (...) Não, não imagine, já não falamos de uma puta, no entanto de uma virgem, não mais pois fora estuprada, principalmente na alma, o homem-mulher se levanta com medo de si, com nojo de si, e tentando se abraçar ao mesmo que se esfregava para retirar o resto dos sabonetes líquidos. O som acaba, é seu despertador; quando sai só se percebe na frente do traiçoeiro espelho com a toalha a nitidamente comê-lo, fazendo orgias indiscretas, abraçando-o, por todo, beijando-o, não, lambendo=o, um novo arrepiar-se trouxe a terceira catarse, sim, posto que o que acontecera antes era uma nova dicotomia: ressurreição X reencarnação.

Ora... o que aconteceu? Já está na esquina, vestido, dando bom dia, nada aconteceu, era homem de novo. Era.