(n)Um dia de prov@.
O clima parece tenso, mas na verdade é engraçado.
- No desenvolvimento, posso levantar questionamento?
- Hum rum...
Paro, olho, escrevo, olho de novo. São 19 na sala, mais 1 que pediu pra sair e mais 2 que faltaram.
Dá um sono, mas eu resisto, olho de novo para a cara de cada um: confiança, orgulho, impaciência, desespero, tranquilidade, sangue frio, atenção, apatia, “quê que eu tô fazendo aqui”, psicopata, cara de besta, “Ih... fudeu!”, desafio, poesia, racionalidade, “professor, o que é texto em prosa?”, cara de quem ouve banda nacional de rock, parcimônia e ousadia. Isso que vejo daqui, sentadinho.
A psicopata acabou de me olhar, eu bem que gostaria de um desafio dela; psicopatas gostam disso, até para a verificação de quais deles é o melhor. Ela seria uma das boas se, SE, não fosse trivial (tento controlar algumas humildes gargalhadas, o atencioso pede ajuda com os olhos, rói as unhas). Eu espreguiço, rio. Uns pensam “que filho da puta...”, outros verbalizam só o estranhamento com um espontâneo “oooxe!!!”. Volto À lista, acabo de me lembrar que esqueci de uma, na hora das caras, essa cara que vejo agora apelidei de Bob D, Bob Marley mais Dread. Ela é uma figura, gosto dela, mas tenho a constante impressão de que está sempre noiada. Isso dá até uma inveja, mas supero, afinal é só uma impressão, eu que uso quando estou com meu amigo imaginário, o mexerica, e que ninguém saiba disso.
Bateu sono de novo, já choveu, escuto ruídos de uma prosa vinda de dois meliantes que já entregaram. Ai meu Pai...
Cadê a psicopata? Ah... alí ela... kkk aquela fraca, ela olha por cima, eu levanto uma sobrancelha e ela se rende como se eu tivesse dado um golpe mortal que dei. Bem que uma morte agora não seria tão banal. Seria agradável até, pelo menos o sono passava. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: a sala branca, eu, de branco, eles, de farda branca (o atencioso me perguntou alguma coisa, mas nem sei o que foi, só respondi afirmativamente, se ele errar, depois... ah, besteira!).
Então... tudo branco, a sala em círculo
(...) Foi mal, eu fui dar uma volta por entre eles, isso sempre os deixa nervosos, meu sono passa um pouco, eu fico alegre. Dois me olham, um fala que estou com sono; eu, claro, nego.
Acredito muito que aqueles três ali são gays, que desperdício, são boa pinta, fariam/fazem/farão/falos sucesso com a mulherada. Acho até que dois deles tem um caso. Uma cena de sexo entre eles seria insólito, pitoresco até, mas se não fosse legal seria, ao menos, engraçado. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: A sala azul, eu, de azul, eles, de farda azul (um dos supostos gays me olha, eu retribuo o mesmo olhar, mesmo sem saber o que ele está falando. Se ele me xingou, eu xinguei pior a mãe dele. Ai meu Pai... e se ele estivesse dando em cima de mim? Ele é até boa pinta, gente boa, mas nunca pensei nessa possibilidade, sei lá... também, eu estou a base de suposições, eles podem não ser pôneis rosados homoafetivos e encontrantes às escondidas; qualquer coisa depois eu... ah, besteira!).
Então, tudo azul, a sala em círculo (... um dos que me entregaram – e agora já são mais que dois – pediu pra ir beber água, deixei! Vieram mais dois e entregar, um deles pra mim é gigolô profissional, tem cara e age como retardado, mas quem quiser que se engane, é esperto, bandido mesmo; o outro não, é retardado com cara séria, postura... (peraí que tocou o sinal, vou tomar e continuo na outra sala).
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Sim, onde é que eu estava? Ah, os dois lá da outra sala... (Nossa, que confusão da porra! Tivemos que trocar de sala, o que, no fundo, eu amei! A turma eu até gosto, mas a sala onde eles estavam é péssima, quente, energia pesada, parece que mortos, espíritos e essas coisas que não existem mas vivem a nos infernizar e a nos meter medo pairavam por ali... Mas sim, os meninos... aqueles lá são bastante amigos (paro, olho, dou risada, parece que estes ficam mais tensos ainda que os outros, talvez porque sejam um pouco muito mais ***r*****. Não, não é vingança, não sou diabólico, mentira, eu sou! Mas é que é divertido essa coisa deles), mas tenho certeza que no caso de um sexo bem casual, o esperto faria bem feito pra poder cobrar dois mil quatrocentos e trinta e um reais e cinquenta e dois centavos na segunda vez. Já o retardado, bem... esse trepa com mulher, homem, bicho, parede, torta de amora e roda de carrinho de rolimã. Fazer o quê né? O importante é ser feliz.
Antes que eu saísse, notei que alguns me observavam numa mistura de curiosidade e aflição: “que será que ele está escrevendo?” e eu quieto, com sono, rindo, escrevendo e propagando... propagando... ah, um monte de coisa.
Enfim, estou em outra sala, essa é curiosa, por ser bem heterogênea, tem os loucos anormais dos que sobem pintados de azul num poste carregando uma melancia no pescoço para brigar com seu amigo imaginário que havia ficado com sua namorada, uma louva-deus. Tem os que parecem maloqueiros ordinários pré-configurados à condição de marginais, que, no fundo, não perderam a virgindade da boca, quanto mais do pinto (desculpe!). Também tem a galera mais proto-emo-dark-restart que se parece com a turma do “aqui todo mundo come todo mundo”. Tem os metidos a inteligentes que escrevem iscola e esqueiro e tem os inteligentes, que parecem comigo (modéstia é o caralho! Ops, desculpe o palavrão!).
Agora é a hora do intervalo, uma menina entrou com um salgado e um copo de suco, eu a olhei, ela riu, eu também, só não entendo o porquê dela ter saído da sala quando disse que ela ia se engasgar. Hum! Me deu vontade de comer acarajé! (... gente, que decepção. Uma aluna acaba de me perguntar de triste_a é com S ou Z).
O sono está voltando, pior que dessa vez eu não estou a fim de andar pela sala... (... dois dos supercabações brincando, dá vontade de tomar e reprovar, seria bom, menos provas para corrigir, mas assim nem dá para corrigir impulsionando o processo metacognitivocriativoeducacional do aluno com elementos do tipo: Nota – SR, Texto Vago, Clichê, Confuso, Incoerente, HAN?, ou ainda só perguntando uma coisa: como assim, meu filho?
Melhor é a cena na hora de receber o texto corrigido.. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: A sala vermelha, eu, de vermelho, eles, de farda vermelha (... eu me pego olhando para a aluna grávida, quando ela senta, se sente parindo, é, daí, eu me pergunto: já pensou se essa menina me inventa de parir na sala? Imagine ela fazendo respiração de cachorrinho... ao invés de ajudar, todos íamos se acabar de dar risada. O menino, ao nascer, não ia chorar, ia sorrir e, em homenagem, a mãe o chamaria de Tiririca Anysio). Olha o infeliz Cabaçolóide querendo me tirar de otário................................. Só quis.
Então, tudo vermelho, a sala em círculo (... acabo de ouvir mentalmente a música “que será” de Ana Carolina, não sou fã dela, mas uma e outra são ouvíveis... “eu comi Madona”, só no sonho dela!)
Engraçado, perdi o tesão, e olhe que essa sala tem uns T. Que faço?
Uma menina que não conheço passou aqui pela porta, olhou, desviou o olhar, baixou a cabeça, deu pra ver que ela sorria, um sorriso legal, descarado... PARA TUDO! Já estou em outra sala e escuto que é “massa!” quando se sobe a escada e, quando levanta a perna para o próximo degrau:
- FLUP! Peida...
É mole? Essa já é uma prova pornojentaxual... Nunca vi meninos pegarem tanto nos pintos dos coleguinhas, fora os carinhos nadegácios... sem falar nos nomes: bosta, cu, que merda, “posso mijá?”. O que leva uma pessoa (agora mesmo, acabaram de dizer: Me fudi!) a falar que vai mijá? Hein meu Pai, MIJÁ?? Dá vontade de dizer: Sim, vá, faça nesse copinho aqui e traga que eu vou te mostrar o que você vai fazer... Se fosse urinar, suprir minhas necessidades fisiológicas, olha que poético que fica. Ai que lindo! Kkk Consigo enxergar até a cena: Só que agora me dou conta que não é sala, muito menos em círculo, é no banheiro, é uma privada, preta, que dão descarga e... não é que os Maias estavam certos? Que sono!

