Cá-Samba...
Junho
é um mês interessante. Mês do São João, Licor, Milho e Forró. Mas ela gostava
mais de Júlio, Cerveja, Tira-gosto de carne e Samba-rock. Ele estava sentado na
sua cama a conversar com algumas pessoas, bem costumeiro, sabe? Ouvindo Seu
Jorge, com saudade dela, que deveria estar metida em alguma confusão, e que
astúcia ela tinha pra isso.
A
cabeça fazia aquela dancinha bem conhecida de, ao ritmo do sambinha, um lado
para o outro, cadenciado. Aos poucos os ombros iam se mexendo também, e logo
ele... (...) ELE PARAVA DE ESCREVER, JOGAVA OS BRAÇOS PRA CIMA, DAVA UM GRITO E
SAMBAVA COM TODA PARTE SUPERIOR DO CORPO: UHUUULL...
Mas
se deu conta que aquele samba estava incompleto, não era a mesma coisa ouvir
algo que não pudesse compartilhar. Era uma paixão que começou platônica, por
ela, por ele, pelo amigo dela pelos dois juntos, pela amiga dela pelo amigo que
torcia pelos dois juntos, e pelos dois que queriam estar juntos. É bem
divertido isso, porque chega uma hora que ele está escrevendo e para pra dar
risada, não é legal como a naturalidade das coisas fazem as coisas acontecerem
sem serem simplesmente coisas?
Aquela
vontade de mais continuou nele. Logo ele teve vontade de ligar, mas será que é
viável? Não, melhor não, fico aqui quietinho e logo ela dá um sinal. Mas não
deu. Carolina começou a passar pela mente dele, será que ela ia sentir ciúmes?
Não, necessariamente, ouvir Seu Jorge não é um pecado, e a Carolina era ela,
ainda que ela cantasse, uma música estranha, mas fofa, bem costumeira, sabe?
Nele
bateu uma vontade de trocar a música, mas ele a viu naquele instante bater à
porta, mentira... ela já havia entrado, estava parada na porta, com aquele
sorriso, aquele olhar, aquela roupa, aquela pose, tudo inocentementessafado,
com um copo na mão, era água e, vejam só, ela jogou nele. Tadinho, foi obrigado
a me dispir, estava me recuperando de uma gripe, roupa molhada ia piorar a
situação dele, não é mesmo?
Pois
bem, tirou a camisa, jogou no chão, se levantou, pisou na camisa, foi em
direção a ela, pegou-a pela nuca, b-e-m s-u-a-v-e-m-e-n-t-e, subia as mãos como
quem não QUERIA nada, e quis. Mas de repente, sua outra mão a pega pela cintura
e logo ele... (...) ELE PARAVA DE ESCREVER, JOGAVA OS BRAÇOS PRA CIMA, DAVA UM
GRITO E SAMBAVA COM TODA PARTE SUPERIOR DO CORPO: UHUUULL...
Mas
vejam, na hora em que foi pega, solicitada para o corpo dele, sim, pois daquela
maneira era um corpo implorando o outro, o sem camisa, com os braços comendo,
bebendo, saboreando o corpo daquele jeito, é, daquele mesmo. Sem beijo de boca,
só beijo de olhar, sexo de olhar, orgasmos de olhar. E eles se olharam, e se
olhavam, e se olham, e se olharão e se olhariam mais se as pernas não se
movessem em direção à cama.
Um
sorriso muito sacana brotou das duas faces, um chamando o outro, bem
d-e-l-i-c-i-o-s-a-m-e-n-t-e de filho da puta, como era doce ouvir aquilo dos
olhos dela, que era ele, que estava nela, que se rendia a ele, que a atirava na
cama e... saiu para tomar um copo de água.
Era
uma espécie de vingança, ela o chamou de filho da puta novamente, agora com a
boca, ainda que os olhos dissessem “ahh, viado!”, mas ele não estava nem aí.
Saiu, passou pelo corredor, entrou na cozinha, encheu o copo de água, ficou de
costas para a pia, se escorando, bem costumeiro, sabe? Quando ela chegou. Uma
rápida conversa de olhos e a água que restava diretamente nela, legal não? Sim!
Está calor mesmo!
Eis
que o som palpita, cria duas pernas, dois braços, dele sai um violão e, como
cabeça, um pandeiro, que tosco. Não, não era, era só o fantástico conspirando
para um samba. Que sambou, fez-se um jogo do errante, afinal, molhada ela
estava, e o samba foi para que as mãos se espalmassem, num jogo de salão ele a
roda, a tem pela frente, ela de costas, a abraça com os braços cruzados e
enquanto ela rebola numa dancinha para baixo, sua camisa, encharcada, é
retirada suavemente, naquele momento começou-se o regime da nudez, nesse samba
foi retirado o short, o outro short, as sandálias não existiam, as camisas
molhadas, havia mais coisas molhadas, mas eram deles mesmos, pois naquele
momento o samba estava no clímax, calcinha virou tamborim e cueca virou cuíca.
A
dança fez embebedar, a cerveja não era a mesma, quando a máquina segurava era
uma, quando nas mãos deles era outra, mas eles queriam água, e não conseguiam,
só restou se olhar de novo, com desfaçatez, agora era perguntar como você teve
coragem? Você me atiçou! Eu, não. Eu sou tão fofo, a culpa foi sua. Entenda
porra, não houve culpa, houve gozo. Porque naquele momento não teve mais
disfarces, e sim a vontade de pirraça consumada, me olha, lê meus olhos que
minha cabeça que outra coisa, e vai fazer outra coisa. Mas o que é pior é que
todos eles se rendem, sim, pois o samba se tornou mais original que o
tradicional, máscaras pairando, bem de costume, sabe? Logo ele (...) ELE PARAVA
DE ESCREVER, JOGAVA OS BRAÇOS PRA CIMA, DAVA UM GRITO E SAMBAVA NELA: UHUUULL...
sentindo-a pelo corpo, não houve espaço para máscara, pois o nu foi desvendado.
Tudo isso ao som de um samba, que não era pagode. Será que ela voltou? Ele
quero isso de novo, com ela, agora.


Nenhum comentário:
Postar um comentário